Doomscrolling: o que é e como esse hábito afeta a saúde mental
- psicologarclinica
- há 9 horas
- 4 min de leitura
Você já pegou o celular apenas para "dar uma olhadinha" nas notícias ou nas redes sociais e, quando percebeu, havia passado mais de uma hora consumindo conteúdos negativos? Se a resposta é sim, você provavelmente já experimentou o doomscrolling.
Esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum e pode impactar significativamente o bem-estar emocional, aumentando sintomas de ansiedade, estresse e até prejudicando o sono. Entenda o que é o doomscrolling, por que ele acontece e como reduzir seus efeitos no dia a dia.
O que é doomscrolling?
A palavra doomscrolling é formada pela junção de dois termos em inglês:
Doom = condenação, desastre ou algo negativo.
Scrolling = o ato de deslizar a tela continuamente.
Na prática, o doomscrolling é o hábito de passar longos períodos consumindo notícias, vídeos ou publicações com conteúdo predominantemente negativo, mesmo quando isso faz a pessoa se sentir mal.
É comum que esse comportamento aconteça em redes sociais, portais de notícias e aplicativos de vídeos, especialmente em momentos de crises, tragédias, conflitos ou acontecimentos que geram preocupação.
Por que fazemos isso?
Embora pareça contraditório, nosso cérebro é naturalmente mais atento às informações que representam possíveis ameaças.
Esse mecanismo, conhecido como viés da negatividade, foi importante para a sobrevivência humana ao longo da evolução. O problema é que, atualmente, os algoritmos das redes sociais identificam esse interesse e passam a oferecer cada vez mais conteúdos semelhantes.
Assim, cria-se um ciclo:
Você vê uma notícia preocupante.
Procura mais informações para entender a situação.
Encontra novos conteúdos negativos.
Continua rolando a tela na tentativa de encontrar uma resposta ou sensação de controle.
Na maioria das vezes, essa sensação de controle nunca chega.
Como o doomscrolling afeta a saúde mental?
O consumo constante de conteúdos negativos pode gerar diversas consequências emocionais.
Aumento da ansiedade
Quanto mais informações alarmantes consumimos, maior pode ser a sensação de que o mundo está constantemente em perigo.
Isso mantém o cérebro em estado de alerta, favorecendo sintomas como preocupação excessiva, inquietação e dificuldade para relaxar.
Mais estresse
Receber uma grande quantidade de notícias negativas faz o organismo liberar hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol.
Quando isso acontece repetidamente, o corpo permanece em estado de tensão por períodos prolongados.
Dificuldade para dormir
Muitas pessoas fazem doomscrolling justamente antes de dormir.
O excesso de estímulos, somado ao conteúdo emocionalmente intenso, dificulta o relaxamento e pode prejudicar tanto o início quanto a qualidade do sono.
Sensação de desesperança
Consumir apenas notícias negativas pode levar à impressão de que nada melhora ou de que tudo está fora de controle.
Com o tempo, isso pode aumentar sentimentos de tristeza, impotência e desmotivação.
Queda na produtividade
Além de consumir muito tempo, o doomscrolling dificulta a concentração e interrompe tarefas importantes, prejudicando o desempenho no trabalho, nos estudos e até nas relações pessoais.
Como perceber que esse hábito está fazendo mal?
Alguns sinais podem indicar que o doomscrolling está impactando sua saúde mental:
Você entra nas redes por poucos minutos e passa muito mais tempo do que planejava.
Sente ansiedade após consumir notícias.
Tem dificuldade para parar de rolar a tela.
Fica pensando constantemente em acontecimentos negativos.
Dorme pior depois de usar o celular.
Sente necessidade de verificar atualizações várias vezes ao dia.
Se você se identificou com esses comportamentos, pode ser o momento de repensar sua relação com o consumo de informações.
Como reduzir o doomscrolling?
Não é necessário deixar de se informar. O objetivo é consumir informações de maneira mais saudável.
Algumas estratégias podem ajudar:
Estabeleça horários para acompanhar notícias
Evite consultar notícias diversas vezes ao longo do dia.
Escolha um ou dois momentos específicos para se atualizar.
Limite o tempo de uso das redes sociais
A maioria dos smartphones permite definir um tempo máximo diário para determinados aplicativos.
Esse recurso pode ajudar a interromper o ciclo automático.
Evite usar o celular antes de dormir
Procure ficar pelo menos 30 a 60 minutos longe das telas antes de deitar.
Esse hábito favorece um sono de melhor qualidade.
Diversifique o conteúdo consumido
Nem tudo precisa ser notícia.
Inclua conteúdos sobre lazer, cultura, ciência, esportes, humor ou aprendizado para equilibrar o que você vê diariamente.
Faça pausas conscientes
Sempre que perceber que está rolando a tela sem um objetivo claro, pergunte a si mesmo:
"Isso está me informando ou apenas aumentando minha ansiedade?"
Essa pequena reflexão já pode interromper o comportamento automático.
Quando procurar ajuda?
Se a ansiedade, a preocupação constante ou o medo começam a interferir na sua rotina, no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos, pode ser importante buscar apoio psicológico.
A psicoterapia ajuda a compreender os fatores que mantêm esse comportamento, desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade e construir uma relação mais saudável com a tecnologia e com o consumo de informações.
Buscar ajuda não significa deixar de acompanhar o que acontece no mundo, mas aprender a fazer isso sem comprometer a própria saúde mental.
Conclusão
Vivemos em uma época em que a informação está disponível o tempo todo. Estar informado é importante, mas consumir conteúdos negativos de forma excessiva pode afetar profundamente o equilíbrio emocional.
Criar limites, desenvolver hábitos digitais mais saudáveis e cuidar da saúde mental são passos essenciais para manter uma relação mais consciente com a tecnologia.
Se você percebe que a ansiedade tem feito parte da sua rotina ou que o uso das redes sociais está afetando seu bem-estar, saiba que você não precisa enfrentar isso sozinho. A psicoterapia pode ser um importante caminho para recuperar o equilíbrio emocional e viver com mais qualidade de vida.
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